segunda-feira, 24 de outubro de 2011

BELTANE ( MIRELLA FAUR )

""Beltane e seu oposto Samhain eram os dois maiores festivais da tradição celta, marcando o inicio do verão e do inverno e representando o casamento sagrado da Deusa e do Deus, a união do Céu e da Terra. Os Fogos de Beltane e o Mastro de Maio (May Pole) celebravam a abundância da terra com o inicio do verão. A Deusa e o Deus alcançaram o auge de sua vitalidade e vigor. O calor do Sol e a exuberância da natureza festejam sua paixão, culminando no Casamento Sagrado da Deusa da Terra com o Deus Verde da Vegetação, personificados em seus representantes: o Rei e a Sacerdotisa.
Apesar de ter sido celebrado por vários povos antigos com outros nomes, como os festejos de Florália e Bacanália, a Festa de Bona Dea e a Noite de Walpurgis, o atual nome deste Sabbat é relacionado a Bel, o deus celta do fogo e da luz.
Os celtas acreditavam que este festival era regido pelo Povo das Fadas, ajudantes da Mãe Terra em sua tarefa de florescer e frutificar. O símbolo principal de Beltane era o Mastro; ao seu redor, os casais dançavam, trançando fitas vermelhas e brancas.
A simbologia e bem evidente: o símbolo fálico fertilizando o ventre da terra e as pessoas vivenciando, nos campos e nos bosques, a energia do amor sexual. Os casais pulavam sobre as fogueiras para atrair a boa sorte, a fertilidade ou a abundância, Homenageavam-se os representantes do Deus - o melhor dançarino - e da Deusa - a mais bonita das mulheres presentes, eleita a Rainha.
Inúmeros encantamentos para a cura, amor e a prosperidade eram feitos nesta noite, colhendo-se e utilizando-se plantas sagradas como o espinheiro branco e preto e o salgueiro, purificando-se os campos e os animais, Deixavam-se oferendas para o Povo das Fadas, pedindo-lhes a abertura da visão sutil e o conhecimento do uso magico das ervas e pedras. A atmosfera deste Sabbat e de excitação celebração da sexualidade e da fertilidade, conscientização dos impulsos e das reais necessidades, harmonização e complementação dos opostos.
Nos círculos de mulheres, comemora-se o florescimento da Terra, o despertar de Perséfone para o amor, a ativação da energia vital e do fogo criador.
As deusas associadas a este Sabbat são  Aeval, Cliodhna, Fand, Grainne, Maeve e Yseult, na Irlanda; Blodewedd e Blatnat, no Pais de Gales; Belisama, na Galia; Marian e Cordelia, na Bretanha; Matronit, na Iberia; Grimhild, Minne e Walburg,"na Alemanha e Freya, Gefjon, Hnoss, Ingeborg, Lofua e Siofn, na Escandinavia. Os deuses correspondentes são Cernunnos, Frey, Fauno e Pan.
Os dois principais temas deste Festival são mito da Mulher Aranha tecendo os fios da criação e o despertar da deusa Donzela para o amor e para a união com o deus Cornífero.
Os elementos ritualísticos deste Sabbat são o Mastro, um tronco de pinheiro onde dançarinos trançam fitas coloridas tradicionalmente vermelhas e brancas, atualmente podendo ser escolhidas em outras cores de acordo com a intenção magica -, as guirlandas de flores e folhagens para os dançarinos, a "dança das fitas" e a fogueira, para purificar-se ou saltar sobre ela. As velas são vermelhas, representando a cor do sangue menstrual e brancas, representando a cor do sêmen. 0 incenso e a essência são de rosas, patchouli, almíscar, melissa, hibisco ou gerânio. No altar, colocam-se flores vermelhas, galhos e folhas de sorveira, sabugueiro, louro e madressilva e um óleo para unção especialmente preparado com óleo de amêndoas e essência de almíscar, mirra, aspérula e sangue de dragão.
Reverenciam-se os Seres da Natureza ofertando-lhes frutas, leite, mel, cristais e contas coloridas, realizando-se encantamentos amorosos enquanto trançam-se fios ou fitas. E uma noite propicia para celebrar uniões. No "Handfasting", o compromisso tradicional durava um ano e um dia, podendo ou não, ao termino deste período, ser renovado ou confirmado. A comemoração e feita com frutas vermelhas (maçãs, morangos, cerejas, melancia e framboesas), pratos com aspargos e champignons, ponche de vinho com frutas, sorvetes e mousses.""


(O anuário da Grande Mãe)